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Bruno Horta Soares

Carnavoud: Carnaval na Cloud!


LAB GSTI 2.0: Carnavoud: Carnaval na Cloud!
Bruno Horta Soares, CISA®, CGEIT®, CRISC™, PMP®, COBIT 5 | bruno.soares@govaas.com


carnaval na cloud

Já há algum tempo que andava para ler o 2012 Cloud Computing Market Maturity Study Results realizado pela Cloud Security Alliance (CSA) e pelo ISACA. A minha principal curiosidade estava relacionada com a avaliação da maturidade, na medida em que apesar de ouvirmos todos os dias falar na Núvem e de uma diversidade de siglas as-a-Service, fica-se muitas vezes com a dúvida se de facto já estamos a falar de algo “maduro” e inovador ou apenas de “velhos” conceitos de serviços de TI mascarados, ou seja, uma espécie de Carnavoud !

Antes de mais importa referir que o 2012 Cloud Computing Market Maturity Study envolveu um conjunto alargado de mais de 250 utilizadores, fornecedores, integradores e consultores que, direta ou indiretamente, fazem parte da comunidade global da Núvem, tendo tido um contributo mais significativo da região norte americana. Este âmbito procurou analisar um mercado global, pois esse é o mercado da Núvem. Pelo menos em teoria.

As expectativas em relação à Núvem são altas e quanto a isso julgo já não existirem dúvidas, sendo grande a esperança de que a Núvem possa contribuir de forma significativa para novos paradigmas de valorização das tecnologias de informação. No entanto, o estudo deixa transparecer que de facto a maturidade da Núvem ainda não é significativa, sendo os seus benefícios percecionados bem mais objetivos e limitados. Para tal contribui o facto de a Maturidade dos serviços da Núvem estarem ainda em fases bastante precoces do seu desenvolvimento. O estudo utilizou um modelo de maturidade com 4 níveis (1. Infância; 2. Crescimento; 3. Maturidade; e 4. Declínio), tendo sido consensual que os serviços de Infraestrutura e Plataforma ainda estão na “Infância” enquanto os serviços de Software estão agora a entrar na fase de Crescimento.

Mas qual é a importância da maturidade? Na verdade, é muito importante porque apenas num estágio de Maturidade é possível ao mercado clarificar o que de facto são os serviços da Núvem, transitando de um patamar conceptual para um estágio em que os conceitos estão plenamente entendidos, implementados e disseminados. De acordo com os participantes do estudo, ainda serão necessários pelo menos 3 anos para que os serviços na Núvem estabilizem na fase de Crescimento, estabilizando os serviços e produtos prestados.

Outros dos aspetos que é salientado no estudo está relacionado com a perceção da Núvem como um novo paradigma tecnológico e não como um novo paradigma de negócio para a criação de valor através da utilização da informação e tecnologias. Nesta fase o CIO é quem na organização tem as ideias mais claras quanto aos benefícios da Núvem para a organização. Apesar de este ser um momento com enorme potencial para “enterrar” os velhos conceitos de “informática” e levar toda a empresa a compreender melhor e valorizar o seu sistema de informação, o estudo deixa transparecer que as áreas de negócio ainda não têm uma visão realística sobre os benefícios e os riscos relacionados com a Núvem . Na verdade, um dos fatores críticos de sucesso da Núvem está relacionado com a necessidade das organizações passarem de um modelo orientado à operação para um modelo orientado à gestão e monitorização de serviços de informação, transformando todo o modelo de estruturas organizacionais e competências que lhe estão associados. Este será porventura um dos temas que irá merecer maior atenção ao nível dos recursos humanos na medida em que será necessário alterar substancialmente o modelo de competências organizacional e desenvolver programas efetivos de formação e capacitação dos colaboradores em novas áreas (ex. gestão de contratos, monitorização de fornecedores e serviços externos, auditoria e controlo).

Importa ressalvar que a Núvem irá transformar em grande medida os modelos de gestão de risco e controlo interno, sendo importante clarificar que transformar não significa eliminar responsabilidades pelos risco e controlo. Com a Núvem existe uma transferência da responsabilidade por algumas áreas de risco e controlo, nomeadamente ao nível operacional, no entanto as Organizações continuarão a ser as últimas responsáveis pelos riscos de perda ou de ganho a que estão expostas.

Quanto aos benefícios da Núvem, neste momento as atenções estão sobretudo relacionadas com eficiências internas, redução de custos de operação e optimização dos recursos de TI, sendo ainda cedo para verificar o impacto que a Núvem tem ao nível da inovação de produtos e serviços, satisfação de clientes e aumento de mercados e receitas. De certa forma, a Núvem ainda é encarada como uma mais-valia interna para as Organizações, sendo ainda poucas as empresas que olham para a Núvem como uma oportunidade externa.

O estudo chama ainda a atenção para a existência de algumas “zonas cinzentas” no que refere ao contexto legal e normativo da Núvem, em particular no que refere à privacidade e ownership dos dados ou relações contratuais transnacionais.

Conclusão
O estudo deixa evidente que a enorme mediatização da buzzword Núvem não tem propriamente correspondência na maturidade dos produtos e serviços que lhes estão relacionados. Conceptualmente a Núvem é de facto um avanço na forma como os serviços de TI e o valor das tecnologias de informação serão percecionados no futuro, no entanto é necessário entender que o conceito ainda agora se está a desenvolver e que a perceção de valor do mercado ditará o seu futuro.
Neste contexto, é necessário analisar e compreender em detalhe as ofertas de serviços na Núvem que já se encontram disponíveis no mercado para que se possam encontrar as melhores soluções que satisfaçam as necessidades das organizações. Este é um tempo em que existirá certamente a tentação para se vender “gato por lebre”, com muitas imitações a serem vendidas como originais… um verdadeiro Carnavoud!

Cumprimentos desde Portugal… estamos juntos!


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