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Bruno Horta Soares

LAB GSTI 2.0: Gestão da Inovação à moda do COBIT 5


LAB GSTI 2.0: Gestão da Inovação à moda do COBIT 5
Bruno Horta Soares, CISA®, CGEIT®, CRISC™, PMP®, COBIT 5 | bruno.soares@govaas.com

Uma das novidades no novo modelo de processos do COBIT 5 é o surgimento de um novo processo de Gestão da Inovação . Fazer diferente para surpreender os clientes ou apenas para fazer face a dificuldades de recursos ou riscos de mercado parece ser um dos principais desafios das organizações, motivo pelo qual este processo será certamente um dos mais interessantes de explorar. Hoje vamos servir Gestão da Inovação à moda do COBIT 5 .

A framework COBIT 5 [1] define como princípio (#5): Separação de Governança e Gestão . Estas duas disciplinas abrangem diferentes tipos de atividades, exigem diferentes estruturas organizacionais e servem objetivos diferentes, motivo pelo qual o ISACA fez questão de deixar clara a sua definição “oficial” de cada um dos conceitos:
  • Governança – Governança assegura que as necessidades, as condições e as opções dos stakeholders são avaliadas para garantir o seu equilíbrio e assegurar o cumprimento dos objetivos da Organização; uma direção através de priorização e tomada de decisão; e 3) e a monitorização do desempenho e conformidade com a direção e objetivos definidos. Neste contexto o acrónimo EDM (Evaluate, Direct and Monitor) passou a ser utilizado para referir os processos de Governança.
  • Gestão – A gestão Planeia, Constrói, Opera e Monitoriza as atividades em alinhamento com a direção definida pelo órgão de governança para atingir os objetivos da Organização. Neste contexto o acrónimo PBRM (Plan, Build, Run and Monitor) passou a ser utilizado para referir os processos de Gestão.

Este princípio COBIT 5 esteve na base da redefinição do modelo de referência de processos (Process Reference Model), passando a existir um conjunto de 37 processos agrupados em duas áreas: Processos de Governança e Processos de Gestão. Um dos domínios na área de Gestão é o de “Alinhamento, Planeamento e Organização”, sendo neste domínio que surge o processo APO04 – Gestão da Inovação .

Por outro lado importa salientar que a nova framework COBIT 5, ao contrário da versão anterior COBIT 4.1, não é orientada a Processos mas a Princípios, promovendo uma visão holística da Organização (princípio #4) orientada a 7 principais Facilitadores (Enablers). Destes facilitadores destacaria 2 que me parecem mais relevantes no contexto da Inovação: Facilitador #2 – Processos; e Facilitador #4 – Cultura, Ética e Comportamentos.

Relativamente à Cultura destacaria a importância de garantir um conjunto de instrumentos de comunicação, aplicação, incentivos/reconhecimento e consciencialização que garantam um bom alinhamento entre a visão de Inovação da Organização e a visão de Inovação das suas Pessoas. A Inovação não se faz por decreto e as resistências neste contexto podem ser mais do que muitas pelo que este Facilitador poderá ser um fator crítico de sucesso na implementação de uma estratégia de Inovação.

Estando garantidas as condições para que a Organização respire Inovação, é então o momento de olhar para o Facilitador Processo [2] e entender de que forma um processo de Gestão da Inovação PODERÁ ser devidamente implementado na Organização .

O processo de Gestão da Inovação tem por objetivo conseguir vantagens competitivas, inovação empresarial, e melhoria da eficácia e eficiência operacional através da exploração das tecnologias da informação e pode ser descrito como:
  • Manter uma consciência das tendências de tecnologia da informação e serviços relacionados, identificar oportunidades de inovação e planejar como utilizar a inovação para cumprir os objetivos do negócio. Analisar as oportunidades de inovação ou melhoria do negócio resultantes de tecnologias emergentes, serviços ou negócios baseados em tecnologia, bem como das tecnologias e processos de já existentes. Influenciar as decisões estratégicas e de arquitetura empresarial.

Seguindo o modelo de cascata de objetivos definido no Princípio # 1 – Garantir as necessidades dos stakeholders , a Gestão da Inovação tem por objetivo a criação de valor, melhoria da qualidade e redução de custos através da implementação de soluções inovadoras, garantindo que a Inovação faz parte da cultura da Organização ; e contribui de forma direta para os objetivos da Organização relacionados com tecnologias de uma melhor gestão benefícios dos investimentos de TI ; melhor utilização das aplicações, informação e soluções tecnológicas ; agilidade de TI ; otimização dos recursos e capacidades de TI e maior valor do conhecimento, experiência e iniciativas.

O processo de Gestão da Inovação pode ser organizado em seis principais práticas de gestão:
  1. Criar um ambiente propício à inovação – Sob a responsabilidade máxima do CEO
  2. Manter um entendimento do ambiente empresarial – Sob a responsabilidade máxima do COO
  3. Monitorar e analisar o ambiente tecnológico - Sob a responsabilidade máxima do CIO
  4. Avaliar o potencial das tecnologias emergentes e ideias de inovação - Sob a responsabilidade máxima do CIO
  5. Recomendar iniciativas de inovação – Sob a responsabilidade máxima do Comité de Estratégia
  6. Monitorar a implementação e uso da inovação - Sob a responsabilidade máxima do Comité de Estratégia

Repare-se como o sucesso de uma estratégia de Inovação só é conseguido se foram envolvidas funções e estruturas organizacionais ao mais “alto nível”, assegurando um equilíbrio de responsabilidades do lado do negócio e responsabilidades do lado da tecnologia .

Para cada uma das práticas de gestão o COBIT 5 identifica um conjunto de atividades, inputs e outputs que ajudarão as Organizações no entendimento das boas práticas, avaliação do seu estado atual e definição de objetivos de melhoria dos seus processos de Gestão da Inovação. Fica evidente a importância de se conhecer o ambiente tecnológico, um adequado alinhamento com os processos empresariais de gestão estratégica (externos ao COBIT) e uma correta articulação com outros processos COBIT tais como: Gestão da Estratégia (APO02); Gestão de Portfólio (APO05); Gestão de orçamento e custos (APO06); Gestão de Recursos Humanos (APO07); e Identificação e construção e soluções tecnológicas (BAI03)

Conclusão
O conceito de Inovação é por definição um conceito holístico que só poderá ser implementado numa organização se for devidamente integrado com os seus principais componentes , como sendo os processos, tecnologias, cultura, estruturas organizacionais ou competências.

O COBIT 5 não é uma framework de Gestão de Inovação, mas é a framework certa para apoiar as organizações a Inovar , contribuindo para a definição de um processo de Gestão da Inovação alinhado com as boas práticas e integrado de forma eficaz com os demais processos de governança e gestão das tecnologias da informação na Organização .

Cumprimentos desde Portugal… estamos juntos!

[1] ISACA, COBIT 5: A business framework for the governance and management of enterprise IT, USA, 2012
[2] ISACA, COBIT 5: Enabling Process, USA, 2012

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