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Bruno Horta Soares

O ponto G da computação em nuvem

Consultório Portal GSTI #30 – Onde fica o ponto "G" da Modernização Administrativa das Entidades Públicas?

Para enviar as suas questões, dúvidas ou comentários para o "Consultório PortalGSTI" deverá utilizar o email: consultorio@portalgsti.com.br

Imagem com a letra G de "ponto g"
Ponto G da modernização

Caros leitores,

Há alguns anos que o tema da “ Nuvem ” surgiu nas agendas da comunidade de Tecnologias de Informação por todo mundo e desde o início assistimos à discussão entre quem acha que se trata de uma  revolução dos modelos de utilização de Tecnologias de Informação e Comunicações e quem, por outro lado, nem sequer tenha dado chance para ver no que dava e tenha desde logo apelidado a “Nuvem” de “buzzword dos fornecedores ”, “um esquema para a NSA controlar nossas vidas” ou simplesmente “algo que não me interessa” (normalmente a opção preferida de quem teme que a evolução possa colocar em causa privilégios instalados ou ignorâncias escondidas) .

Os anos foram passando e muito tem acontecido em torno da Nuvem . Apesar de estar longe de já ter atingindo o seu nível de maturidade, tanto ao nível tecnológico como comercial, é inegável que os benefícios foram sendo melhor entendidos, os riscos melhor conhecidos e mitigados e os modelos operacionais foram sendo ajustados à medida das necessidades dos diferentes tipos de consumidores por todo o mundo .

As três letrinhas “ aaS ” foram motivando novas formas de enquadrar serviços, mais ou menos tecnológicos, mas que de forma geral partilham a mesma vontade de criar valor a partir da Informação utilizando novas Tecnologias que melhor se adaptem às necessidades das Organizações, tanto aos seus contextos internos (ex. melhor otimização de recursos , potencial de redução de custos , maior resiliência operacional) como externos (ex. respostas mais rápidas e flexíveis à mudança ). A juntar aos três serviços tradicionais da Nuvem (IaaS, PaaS and SaaS), estes foram alguns dos serviços que ganharam visibilidade nos últimos anos:

  • Security as a Service (SecaaS);
  • Disaster Recovery as a Service (DRaaS);
  • Identity as a Service (IDaaS);
  • Data Storage and Data Analytics as a Service (Big Data);
  • Information as a Service (InfoaaS); ou
  • Integration Platform as a Service (IPaaS).

De uma forma ou de outra, ao longo destes anos ficou claro para mim que mais do que a maturidade da Núvem, o fator determinante para que as Organizações tivessem tirado partido dos benefícios desta solução tiveram sobretudo a ver com a maturidade interna dos seus Sistemas de Informação .

Organizações com maiores maturidades foram capazes de entender as ameaças e as oportunidades da Nuvem , tendo tirado partido desses riscos para enquadrarem a Nuvem como uma peça dos Sistemas de Informação .

Por outro lado, baixos níveis de maturidade dos Sistemas de Informação, quer fossem ao nível Tecnológico, de Processos ou Pessoas, levaram ao não aproveitamento ou mau aproveitamento da Nuvem , tendo-se em alguns atribuído à Nuvem , e os seus fornecedores, a causa do insucesso e de todos os males, passados e futuros, sem sequer se ter entendido o verdadeiro potencial da Nuvem e, obviamente, a necessidade de evolução associada.

Bons e maus exemplos verificaram-se em Organizações grandes ou pequenas , públicas ou privadas. Foi nas entidades públicas, em particular governamentais, que a discussão em torno da Nuvem levou a maiores exageros, com os interesses ideológicos a misturarem-se com o medo do desconhecido, elevando a discussão em torno das ameaças e impedindo que em algumas situações as oportunidades fossem sequer analisadas.

A Modernização Administrativa no contexto das Entidades Públicas é sem dúvida um dos domínios onde a Núvem poderá ter maior potencial, motivo pelo qual houve quem tivesse aprofundado a pesquisa nesta área a fim de encontrar o ponto “G” da Núvem, a “G-Cloud”.

De uma forma geral os investimentos no setor público têm enfrentado nos últimos anos constrangimentos e restrições financeiras e as TIC não têm ficado isentas, por maior impacto que as TIC possam ter na Modernização Administrativa (ex. maior infoinclusão das populações, demanda de prestação de mais e melhores serviços de proximidade, necessidade de maior eficiência dos processos internos e otimização dos recursos disponíveis ).

Os serviços na Nuvem endereçam muitas destas necessidades e desafios, garantindo uma maior agilidade, escalabilidade e confiabilidade dos recursos TIC e consequentemente a entrega de serviços de forma mais rápida e flexível aos Cidadãos.

Foi neste contexto que surgiram as Nuvens Governamentais (G - Cloud), como forma das Entidades Públicas e Governos experimentarem novos paradigmas de utilização e gestão das TIC, demonstrando-se uma solução crítica para a criação de valor através de uma maior satisfação das necessidades de todas as partes interessadas, melhor gestão dos riscos e otimização dos recursos.

A otimização dos recursos é, em muitos casos, um dos principais fatores críticos de sucesso na medida em que existe um potencial de diminuição dos custos de infraestrutura de TI, adoção de soluções mais inovadoras e uma maior flexibilidade e interoperabilidade entre várias Entidades.

Com as Nuvem Governamentais os Governos têm a possibilidade de evoluir no sentido de uma maior orientação aos Serviços prestados aos Cidadãos, passando a tratar as TIC como um "mero" facilitador suportado em arquiteturas mais otimizadas, eficientes, flexíveis e, porque não, mais seguras e amigas do ambiente .

Tal como em muitas outras áreas das TIC, o Reino Unido é provavelmente um dos países mais evoluídos neste domínio, tendo lançado a iniciativa UK GovernmentG-Cloud para centralização serviços e boas práticas relacionadas com as TIC, de onde se destaca a “ CloudStore " para disponibilização de serviços partilhados na Administração Pública.

E o potencial das Nuvens Governamentais não fica por aqui, estando a evoluir para novos modelos onde os Cidadãos são igualmente convidados a participar nas Nuvens , acedendo e disponibilizando mais e mais serviços!

Como disse Fernando Pessoa no slogan de lançamento da Coca-Cola em Portugal “Primeiro estranha-se, depois entranha-se” e este é sem dúvida o momento das Administrações Públicas arriscarem novas experiências verdadeiramente inovadoras, disruptivas e que potenciem ao máximo a criação de valor para os Cidadãos.

Podem não ser fáceis de encontrar, mas as G-Coud trarão certamente grandes alegrias à Modernização Administrativa!

Espero ter ajudado!

Bruno Horta Soares, CISA®, CGEIT®, CRISC ™ , PMP®

"The more you know, the less you no!"

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Referências:

CONTROLS AND ASSURANCE IN THE CLOUD: Using COBIT® 5 

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