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Fábula dos patos que sonham ser águias

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Wellington Moreira CONTEÚDO EM DESTAQUE

Muito tempo atrás, num reino distante, um executivo famoso começou a defender a ideia de que todos os seres daquele lugar deveriam se inspirar no trabalho e postura das águias. Segundo ele, a imponência, o olhar penetrante, a força, a coragem e tudo mais que vinha delas deveria ser incorporado por todos.

Não demorou muito tempo para que essa filosofia se propagasse, com os habitantes daquele reino se referindo àqueles que faziam um ótimo trabalho como “águias”. O nome do animal virou sinônimo de competência.

Na mesma época alguém teve a ideia de criar clubes de águias no alto das montanhas, onde elas se reuniam para trocar experiências de sucesso, escutar palestras das espécimes mais respeitadas de outras nações e discutir os mais variados assuntos que as interessavam. E fora desse círculo, lendas urbanas sobre os feitos extraordinários de algumas delas povoavam a mente de quase todo mundo.

O problema é que não havia aves suficientes para atender a demanda crescente por águias no mercado e o jeito foi criar uma escola de formação no qual seres menos badalados, como os patos, aprendiam a fazer o mesmo trabalho. Seu nome: “Escola de formação de águias para patos”.

O sucesso foi instantâneo. Apareceram patos de todos os lados para fazer o curso com duração de dois anos, ainda mais após a promessa “torne-se uma águia de verdade ou receba seu dinheiro de volta”. E para garantir os resultados, o programa didático trazia exatamente aquilo que as águias aprendiam em suas escolas exclusivas desde os primórdios.

Esse grande interesse dos patos tem explicação. Como eles usualmente fazem de tudo um pouco, não conseguem ser experts em nada. Voam, correm e nadam, mas tudo “meia-boca”, como se diz. Aliás, naquele reino, quando alguém faz um trabalho pouco expressivo, é chamado justamente de pato.

A má notícia é que o resultado da formação não foi dos melhores. Apesar de receberem um treinamento impactante e de bom nível, os patos continuaram patos. Arriscavam-se em voos rápidos e nada mais. Aquela história de pular de um despenhadeiro então, nem pensar. A partir desse teste, inclusive, a maioria dos patos “pedia pra sair”. Literalmente, abandonavam o curso.

Pior foi aquilo que acabou acontecendo com uma parcela específica deles. Patos tidos como desajustados passaram a se vestir de águias e a repetir todos os trejeitos delas para que os demais seres acreditassem que eram águias de verdade. Mas também era relativamente fácil descobrir esse tipo de engodo. Você só precisava iniciar uma conversa com eles para escutar de repente um “quá-quá” no meio da conversa. O próprio Sindicato das Águias passou a pressionar o governo local para que fiscalizações ostensivas se tornassem mais corriqueiras.

Se não bastasse tudo isso, os patos não estavam nada felizes. Por mais que se esforçassem, evoluíam pouco. Terceiros diziam que era por falta de motivação, mas você só precisava assistir a um dos treinos deles na escola de formação para ver que a questão era outra: almejam ser o que jamais se tornariam. Esqueciam que terem nascido patos não era um problema e sim uma condição.

Moral da história:

– Águias apreciam andar com águias. É por isso que gente talentosa não gosta muito de lidar com quem não consideram acima da média.

– Águias despreparadas podem se tornar grandes águias se forem treinadas. Patos jamais serão águias, mesmo se tiverem motivação de sobra para chegar lá. Você precisa capacitar as pessoas certas.

– Alguns indivíduos têm currículos pomposos, parecem ser competentes, mas não oferecerão muito conteúdo à sua companhia. Cuidado com quem adora vender grife.

– Se você, aparentemente, não possui um talento ímpar, então encontre uma forma de fazer com que a combinação de seus atributos medianos ou a polivalência seja o grande diferencial. Senão o mercado o verá como um pato.

– Tentar ser o que você não é pode custar alguns anos à carreira e muitas sessões de terapia no futuro.

Pense nisso!

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