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Experimento da Google mostra que redes neurais já criam criptografias de forma independente

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Adriele Bandeira CONTEÚDO EM DESTAQUE

Quem tem medo do domínio das máquinas sobre os seres humanos não vai gostar dessa notícia: pesquisadores da divisão de Inteligência Artificial da Google (o chamado laboratório Google Brain) conseguiram fazer com que redes neurais interagissem entre si criando métodos de encriptação por conta própria. Isso mesmo, sem nenhuma interferência humana! Parece ficção científica, mas o caso é real e foi explicado pelos pesquisadores Martín Abadi e David G. Andersen no artigo Learning to protect communications with Adversarial neural cryptography, disponível no site da Universidade de Cornell.

Google Brain

A três redes neurais — batizadas de Bob, Alice e Eve — envolvidas no experimento deveriam desempenhar funções muito definidas: Alice tinha que enviar para Bob uma mensagem secreta que só ele seria capaz de decodificar. Enquanto isso, Eve precisava tentar interceptar a mensagem e decifrá-la. Assim foi feito.

Alice gerou um texto e o codificou, enviando-o em seguida para Bob, que conseguiu compreender a mensagem. A princípio, a criptografia empregada era básica, mas foi se sofisticando à medida que novos envios eram feitos por Alice. Após 15 mil tentativas, Alice e Bob tinham conseguido criar um sistema seguro de encriptação sem contar com nenhuma interferência dos pesquisadores. Eve, que tinha a missão de espionar a comunicação entre os dois, bem que se empenhou na tarefa, mas suas tentativas foram frustradas. Embora a chave tivesse apenas 16 bits, somente metade era decifrada por ela, o que era insuficiente para permitir o acesso às mensagens enviadas de Alice a Bob. 

O curioso é saber que, devido à maneira como se dá o aprendizado das máquinas, os pesquisadores não sabem dizer quais tipos de encriptação foram utilizados pelas redes neurais nesse experimento. De todo modo, trata-se de um estudo interessante para nos mostrar que as máquinas já são capazes de interagir e criar linguagens secretas de forma independente. Isso faz lembrar um outro caso bastante inusitado que já foi abordado aqui no Portal GSTI, o de um robô que dá entrevista e fala sobre o plano de criar um zoológico de humanos! Assustador? Para muita gente, sim. Entretanto, os entendidos do assunto garantem que não há com o que se preocupar, pois as máquinas ainda estão muito longe de dominar o mundo. Pelo menos é o que parece.

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