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Bruno Horta Soares

LAB GSTI 2.0: 5 princípios para Micro, Pequenas e Médias Empresas (PMEs) que sonham


LAB GSTI 2.0: 5 princípios para Micro, Pequenas e Médias Empresas (PMEs) que sonham


Bruno Horta Soares, CISA®, CGEIT®, CRISC™, PMP®, COBIT 5 | bruno.soares@govaas.com

micro, pequenas e médias empresas
Ilustração 1 - Fernando Pessoa

“Portugal tem mais de 99,9% de Micro, Pequenas e Médias Empresas”. Existem 1001 interpretações que podem ser retiradas deste dado estatístico, sendo que pessoalmente não gosto daquelas que associam a dimensão das empresas à necessidade, ou não, de competência dos seus gestores, passando uma mensagem, errada, de que é fácil gerir empresas pequenas e difícil gerir empresas grandes. A atual crise veio demonstrar que mais do que categorizar empresas em Pequenas ou Grandes, o que importa é categorizá-las em empresas Abertas ou empresas que Fecharam. Hoje vamos ver porque é que o COBIT 5 não é para empresas grandes mas para empresas que se querem manter Abertas e que sonham.

As micro, pequenas e médias empresas (PMEs) são classificadas em função dos efetivos de que dispõem e do seu volume de negócios ou do seu balanço total anual, enquadrando-se neste grupo todas as Empresas com menos de 250 empregados e um volume de facturação inferior a 50 milhões de Euros [1]. Serve o enquadramento para deixar claro que a classificação decorre, em primeira instância, dos valores de dois indicadores (i.e. número de efetivos e volume de negócios) e não de mais ou menos características, mais ou menos responsabilidades. Portugal tem uma estrutura empresarial com cerca de 99,9% PMEs, o que significa que cerca de 61% do volume de negócios é gerado por Empresas com pouco mais de 8 empregados. Por outro lado temos 0,1% de empresas que empregam 22,4% do total de pessoas ao serviço da economia portuguesa, tendo cada uma destas empresas em média 756 trabalhadores [2] .

Esta disparidade de valores é muitas das vezes utilizada para justificar “estilos” de governança e gestão, passando-se muitas das vezes a ideia de que para criar valor num ou noutro tipo de empresas é quase necessário diferentes cursos superiores de Gestão ou, no pior dos cenários, a ideia de que para gerir uma PME a técnica é pouco relevante e o que importa é “pontapé para a frente e fé em Deus”.

O atual cenário de crise veio clarificar que, independentemente da dimensão, o que importa para manter “as portas abertas” é a capacidade de gerar valor, i.e, ter a capacidade de gerir as necessidades dos diferentes stakeholders (“Better, Faster, Cheaper” [3] ) ao mesmo tempo que se consegue uma adequada gestão dos riscos e uma optimização dos recursos (cada vez mais escassos) . Com as necessidades dos stakeholders a aumentarem e os recursos disponíveis a diminuírem, só através de uma adequada governança e gestão das organizações será possível a pequenas e grandes  sobreviverem numa economia cada vez mais globalizada .

Este é o contexto que explica porque é que o COBIT 5 não é uma framework que se aplica apenas às grandes Empresas, mas sim uma ferramenta importante para qualquer Organização que procura maximizar o seu valor através de uma adequada governança e gestão do seu sistema de informação. Aqui ficam 5 dicas para PMEs adotarem os princípios do COBIT 5:
  1. Pequenas empresas podem ter grandes objetivos – Satisfazer as necessidades dos seus stakeholders é o objetivo máximo de qualquer Organização. “Quem são eles? e “Quais as suas necessidades” é o primeiro passo para um correto alinhamento dos objetivos internos, quer ao nível do negócio como dos objetivos relacionados com o sistema de informação. Mantenha sempre os “olhos na bola” e nunca se esqueça porque é que está em campo;
  2. Inovar mais do que rotular – Informação, Tecnologia e Informática são muitas vezes associadas a inovação. Clarificar que informação não é exclusivamente tecnologia e que tecnologias da informação são muito mais que informática é o primeiro passo para que toda a Organização se preocupe mais com inovar do que com rotular. As tecnologias da informação podem de facto trazer vantagens competitivas às Organizações, sobretudo PMEs, mas apenas se estas forem capazes de envolver transversalmente todas as funções numa procura da melhor forma de as tecnologias potenciarem os objetivos globais da organização. Adicionalmente, o facto de uma PME não ter "informáticos" não pode, nem deve, ser uma limitação para que esta não procure novas tecnologias para inovar o seu negócio;
  3. Substância sobre a forma – Para a boa governança e gestão dos sistemas de informação o que importa não é a adopção de todas as boas práticas, buzzwords ou certificações, mas sobretudo a utilização de modelos que permitam uma visão transversal das necessidades da Organização e que tenham a capacidade de fundamentar os investimentos no sistema de informação na satisfação dos objetivos do negócio. O facto de se ser uma PME muitas vezes não isenta a Empresa de cumprir com requisitos legais ou normativos, pelo que a adopção da framework certa pode ser determinante, entre outros fatores, na melhoria da transparência e confiança;
  4. O todo é mais do que a soma das partes – Ter uma visão sistémica sobre a empresa é compreender que o cumprimento dos objetivos passa muitas das vezes por um correto alinhamento dos fatores que contribuem, direta ou indiretamente, para esses objetivos. Mais do que ter as tecnologias “da moda”, os recursos humanos mais qualificados ou os processos mais documentados, importa compreender de que forma é que esses facilitadores se interligam e funcionam em conjunto. Este aspeto é tão mais relevante para uma PME na medida em que todas as escolhas dos recursos devem ser devidamente fundamentadas e justificadas no seu contributo para a geração do valor; e
  5. Saber fazer ou conhecer quem saiba – Sejam grandes ou pequenas, as Organizações têm todas a necessidade de uma boa governança e gestão, pelo que importa compreender o que significam essas atividades, quais as competências necessárias e quais os seus objetivos. Este entendimento é um fator crítico para as PMEs poderem avaliar onde está o seu valor e competências dos seus recursos internos e quais as atividades que mais vale externalizar, nunca perdendo a capacidade de controlar e monitorizar.


Conclusão
O COBIT 5 é uma framework de referência para a boa governança e gestão das tecnologias de informação corporativas. A framework é baseada em 5 princípios orientadores que podem, e devem, ser adoptados por qualquer empresa (pública ou privada; grande ou pequena) que queira gerar valor para os seus stakeholders através de uma adequada satisfação das suas necessidades, adequada gestão dos riscos e otimização dos recursos disponíveis.

Fernando Pessoa [4] disse que “O Homem é do tamanho do seu sonho” por isso as empresas só são pequenas se tiverem objetivos pequenos . Como tal, nada impede empresas pequenas de terem grandes gestores e grandes objetivos, basta para tal quererem adotar e adaptar as boas práticas às suas realidades.

Cumprimentos desde Portugal… estamos juntos!




[1] Recomendação 2003/361/CE da Comissão, de 6 de Maio de 2003, relativa à definição de micro, pequenas e médias empresas [Jornal Oficial L 124 de 20.05.2003]
[2] Dados de 2010 - http://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/ine_pme_representavam_999_do_tecido_empresarial_portuguecircs_em_2010.html
[3] http://en.wikipedia.org/wiki/Daniel_Goldin
[4] http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Pessoa

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