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Wellington Moreira

Você merece um aumento?

O que você fez de extraordinário nos últimos tempos para ganhar mais?

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Em geral os trabalhadores creem que ganham menos do que merecem, mas será que as empresas realmente pagam mal no Brasil? Primeiramente, é muito comum que a pessoa superestime suas contribuições à companhia na qual trabalha, enquanto que seu chefe acredita que o subordinado em questão poderia entregar melhores resultados com o salário que recebe. Uma tremenda diferença de percepção, que tende a ser maior ainda quando você está do outro lado.

Por exemplo, se a empregada doméstica que trabalha em sua residência exigir um aumento ainda hoje, você concederá aquilo que ela pleiteia? Possivelmente não – e talvez ainda fique indignado –, a menos que os argumentos dela sejam bastante sólidos. É o mesmo que ocorre quando a sua empresa lhe nega um acréscimo nos rendimentos após uma resposta pouco convincente à pergunta: “O que você fez de extraordinário nos últimos tempos para justificar um aumento?” .

Aliás, se a pessoa gagueja nesta hora ou então diz coisas do tipo: “meu colega da área ganha mais do que eu”, “faz tempo que eu tô com o mesmo salário” ou “não consigo mais pagar as contas lá de casa”, a expressão do chefe geralmente não é das melhores, afinal nenhum destes motivos tem a ver com a natureza do trabalho realizado.

Antes de crer que está passando por uma injustiça procure se colocar no lugar da empresa que o emprega e de quem poderia contratá-lo. Alguém está disposto a pagar aquilo que você acredita merecer? Se não houver interessados, você pode querer ganhar mais, porém dificilmente terá seu desejo atendido. Por outro lado, caso haja uma proposta real para mudar de ares, só não se esqueça de analisar se ela compensará os benefícios que talvez irá perder e as inseguranças próprias de um novo emprego. Ou depois terá de lidar com o “era feliz e não sabia”.

Além disto, é importante ter em mente que o mercado paga mais quando há escassez. Assim, se as suas competências e a capacidade de dar resultados não forem muito acima da maioria dos profissionais disponíveis, você receberá aquilo que se paga na média. Como você acha que as empresas arrumam dinheiro para pagar os talentosos? Remunerando menos aqueles que ocupam posições de mais fácil reposição.

É por isto que, dependendo da sua profissão, vale a pena mudar de cidade . Só para ficar num exemplo, um técnico de informática chega a ganhar três vezes mais num lugar na qual há falta deste profissional . O problema é que nem sempre as pessoas estão dispostas a deixarem aquilo que têm nas grandes cidades para fazer carreira em municípios do interior do país.

Outra coisa: se a empresa aonde trabalha não possui a cultura de avaliar o desempenho individual periodicamente também é difícil pensar em aumentos sucessivos. Como o gestor poderá justificar um soldo maior sem analisar a contribuição efetiva de cada pessoa que lá atua?

As empresas que atrelam remuneração à performance até pagam salários-base menores, mas em contrapartida adotam políticas de remuneração variável agressivas. Assim, se as coisas andam bem muita gente ri à toa porque, em alguns casos, 50% do seu contracheque está ligado a metas de curto prazo.

Ainda há uma parcela de organizações que vincula o aumento da remuneração ao sucesso de um projeto no qual a pessoa trabalha. Ou seja, quando ela se destaca e garante ótimos resultados a companhia abre a mão, do contrário não.

Uma estratégia de longo prazo com retorno financeiro quase certo é investir em sua formação agora. Cada ano de estudo a mais reflete, na média, um crescimento de 15% na remuneração. É claro que nem todos conseguem ver este aumento porque não capitalizam a bagagem adquirida, mas esta é outra história.

A insatisfação é importante na vida de cada um de nós porque serve de impulso para a mudança. Contudo, querer ganhar mais fazendo as mesmas coisas de sempre é insanidade.

Wellington Moreira
wellington@caputconsultoria.com.br

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Wellington Moreira
Wellington Moreira13 Seguidores 71 Publicações CEO
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Palestrante e consultor empresarial em Formação de Lideranças, Desenvolvimento Gerencial e G. Estratégica, professor de pós-graduação. Mestre em Adm. de Empresas, MBA em G. Estratégica de Pessoas, autor dos livros Líder tático e O gerente intermediário.

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