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Bruno Horta Soares

Consultório Portal GSTI #2

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“Tenho em minha experiencia profissional a dificuldade de aplicar a sopa de letrinhas das práticas de TI (COBIT, ITIL, MOF e etc.) em micros e pequenas empresas. A pergunta é: Existiria ambiente tão escasso de recursos que torna inviável qualquer esforço de gestão da TI?”
J. dos Santos (São Paulo)

Caro dos Santos,

Esta é uma excelente questão e que me é particularmente cara pois vivo e trabalho num país em que os dados oficiais falam que o tecido empresarial é composto por mais de 99% de Pequenas Médias Empresas (PMEs).

A minha resposta à pergunta “ Existiria ambiente tão escasso de recursos que torna inviável qualquer esforço de gestão da TI? ” é 50% “Sim” e 50% “Não”. Antes que o leitor ache que estou a utilizar uma das ferramentas essenciais de um consultor, a resposta “Depende!”, vou desde já clarificar que a minha resposta se fundamenta nas duas últimas letras da pergunta, ou seja, é “Sim”, se falarmos de Tecnologias, e “Não”, se falarmos de Informação.

Costumo contar a história do meu bisavô Alfredo, um homem do campo que apenas conheci muito novo mas que sempre ouvi a minha avó contar que era tão trabalhador quanto bondoso, e que esta característica da bondade lhe trazia muitas alegrias mas também muitos desgostos, sobretudo por causa da dita Informação… ou no caso, falta dela! Conta a minha avó que o seu pai Alfredo, mais do que uma vez, trocou com comerciantes ambulantes os seus bons burros por maus cavalos. Acreditava sempre que estava a fazer um bom negócio, no entanto a informação apresentada pelo dono do cavalo relativa às maravilhosas qualidades dos seus animais quase nunca se confirmavam ser verdadeiras. O meu bisavô era bom com a enxada (a sua tecnologia), mas também já na altura a Informação era poder, e o meu bisavô Alfredo não era muito bom com Informação.

Todo o mundo fala que hoje em dia a Informação é um fator crítico de sucesso de qualquer Organização. Eu diria que sempre foi e que a Tecnologia apenas veio generalizar e, de certa forma, democratizar o acesso e utilização à Informação.

É neste contexto que importa separar o que é a gestão da Tecnologia e a gestão da Informação, mas também o que é a utilização de frameworks ou standards de Tecnologia ou de boas práticas de Negócio.

Se tiver de analisar a utilização de frameworks ou standards de Tecnologia em PMEs, sendo que aqui podemos destacar o ITIL ou ISO 2000, naturalmente que estas apenas fazem sentido se existirem recursos suficientes para serem geridos (i.e. Pessoas, Aplicações ou Infraestruturas). Não sei se existe um número dourado de recursos mínimos, mas é óbvio que deverá existir uma complexidade suficiente que justifique a adoção destas boas práticas.

O caso muda de figura se deixarmos de considerar a Tecnologia como o fim, e passarmos a olhara para a Tecnologia como um facilitador para potenciar a utilização da Informação na criação de valor, e qualquer empresa, independentemente da sua dimensão, tem como objetivo a criação de valor.

Veja-se o exemplo das comunicações empresariais, onde desde sempre qualquer gestor sabe que tem de estar acessível aos seus clientes, quer seja através de pombo-correio, carta, FAX, telefone, email, página na web… Talvez tenham existido tempos em que as Empresas tenham criado os seus pombos-correio para poderem comunicar com os seus clientes, mas hoje estou certo que empresas de sucesso, independentemente da sua dimensão, são aquelas que se concentram no seu negócio, sabem que têm de comunicar com os seus clientes, mas também sabem que não podem perder recursos a pensar na melhor alimentação para os seus pombos-correio.

Foi neste contexto que a ISACA batizou a sua nova framework COBIT 5 como uma “ Framework de negócio para a governança e gestão das tecnologias de informação corporativas ”. Nesta designação estão dois dos principais motivos pelos quais a COBIT 5 pode ser adotada por Empresas de qualquer dimensão, públicas ou privadas:
  • É uma framework… – O que significa que não se trata de um manual prescritivo de adoção de boas práticas, mas um guia de princípios (e não de processos como a versão anterior 4.1) que devem ser conhecidos, entendidos e implementados de acordo com as necessidades de cada Empresa; e
  • … e é de negócio -  O que significa que pretende que a governança e gestão das Tecnologias de Informação sejam encaradas como um facilitador, ou seja, um meio para alcançar os objetivos de criação e valor da Empresa.


Na teoria isto tem um ótimo aspeto, mas será que funciona na prática? Mais uma vez a minha resposta não está diretamente relacionada com a framework nem com a dimensão da Organização. O mais importante está relacionado com a competência da Gestão da Empresa, ou seja, a competência dos seus gestores. Já vi muito grandes empresas geridas por “pequenos gestores” e pequenas empresas lideradas por grandes profissionais que sabem que têm de tirar o melhor partido das boas práticas, sejam elas de que domínio forem, para que possam criar vantagens competitivas para os seus negócios, quer seja pela maior transparência, maior confiança e segurança, melhor otimização dos recursos disponíveis… enfim, para garantirem uma maior satisfação dos seus stakeholders , em particular dos seus clientes e parceiros!

Estes são tempos extraordinários para colocar estas teorias em prática, com as empresas a necessitarem de ser cada vez mais ágeis e com a cada vez maior facilidade de acesso a tecnologias de informação as-a-service, ou seja, à medida das necessidades.

Espero ter ajudado, bom trabalho,
Bruno Horta Soares, CISA®, CGEIT®, CRISC , PMP®
"The more you know, the less you no!"

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