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Walter Rocha Palma

O Líder e a Torre de Rapunzel

O Líder e a Torre de Rapunzel

Na época de nossa infância era comum escutarmos contos de fadas de nossos pais, tios, avós, ou mesmo irmãos mais velhos. Geralmente estes momentos antecediam a hora de dormir, o que nos levava a soltar a imaginação criando imagens de todas as formas, cores e tamanhos, na medida do desenrolar do enredo, que nos despertava os mais variados sentimentos de amor, medo, raiva, compaixão e no final sempre a uma reflexão sobre os valores do bem e do mal contidos naquele conto.  As respostas para nossas perguntas sobre os acontecimentos e sobre as atitudes dos personagens de cada conto nos permitia criar  valores próprios sob  a orientação da pessoa que nos contava a estória, que gozava de nossa confiança. Por vezes, o conteúdo do conto permeava nossos sonhos, onde assumíamos algum daqueles personagens conforme nossa identificação ou da impressão que nos causava.

Um dos contos que lembro é o de Rapunzel, uma bela jovem que foi aprisionada por uma bruxa  em uma grande torre de pedra incrustada em um castelo, o que a fez perder o contato direto com as pessoas do seu reino. O único contato que ela tinha com o mundo exterior era através de um pequena janela, onde ela passava horas admirando a beleza do reino ao redor, dos jardins do seu castelo e da natureza em geral.  Presa naquela torre, Rapunzel tinha momentos de muita tristeza por não poder conviver com outras pessoas do reino e participar de momentos tão gratificantes dos grupos que ela avistava, tanto nos trabalhos dos campos como nas festas embaladas por muita música, pois ela só podia ver tudo muito distante, do alto de sua torre. Mas, um dia, Rapunzel resolveu começar a cantar debruçada em sua janela, no intuito de estabelecer um contato com outras pessoas do seu reino. Aquele único espaço que restara para sua interação com o mundo exterior foi suficiente para ela soltar a voz e passar aos outros o que ela sentia por meio das melodias por ela entoadas. Foi tanta a força que ela colocou em  sua voz que, apesar da grande altura da torre que a aprisionava,  sua canção pode chegar aos ouvidos de um príncipe que  passava nos arredores, que logo se aproximou da base da torre para vê-la e conversar com ela. Tal contato despertou no príncipe uma grande paixão e desejo de livrá-la da torre.  Para ter contato direto com o príncipe, Rapunzel teve que usar seus longos cabelos, que cresceram ao longo dos anos de seu cativeiro, para que o príncipe escalasse a torre usando suas tranças e pudesse assim alcançar a janela e penetrar em seu quarto. Daí se desenvolveu o amor entre eles, que foi forte o bastante para enfrentar a bruxa que a aprisionara e vencer vários obstáculos, até mesmo o corte dos cabelos de Rapunzel, feito pela bruxa durante uma das escaladas do príncipe, resultando em ferimentos que foram superados, pois os laços formados entre ele e Rapunzel foram fortes o suficiente para vencer todas as dificuldades, resultando no final feliz e comemorado por todos do reino.
Se observarmos atentamente alguns líderes que ocupam cargos de destaque nas empresas ou outras instituições poderemos descobrir alguns que vivem como Rapunzel, aprisionados em “torres” enormes e tendo uma relação com  o mundo em sua volta apenas por meio de uma pequena “janela”. No conto de Rapunzel quem a aprisionou foi um bruxa, mas no caso de um líder quem o aprisionou numa “torre” foi ele mesmo através do seu ego. A torre de Rapunzel era feita de pedras superpostas uma nas outras que permitia sustentar a grande altura alcançada. Na “torre” que afasta o líder do mundo ao seu redor as “pedras” são formadas por atitudes baseadas ma ambição descabida, prepotência, arrogância, egoísmo, impaciência, individualismo, ironia, insegurança, excesso de conservadorismo, vaidade, intransigência, soberba, senso de julgamento superficial, rigidez de pensamento, teimosia, falta de solidariedade,   falta de sinceridade, e outras que cada líder pode lembrar que usou na construção de sua “torre”.
Para se libertar da sua torre, uma vez que era infeliz naquela situação, Rapunzel teve que usar suas forças interiores e através de sua voz entoar canções que chegassem às outras pessoas e usar suas próprias tranças para estabelecer o contato próximo, forte e gratificante com o seu príncipe. No caso do líder, se ele não se sente bem com sua “torre” ele precisa destruí-la, quebrando todas as “pedras” que a sustenta. Precisa de coragem e determinação, que são as ferramentas essenciais para trabalhar na desconstrução de sua “torre” e abrir espaço para a convivência  e o compartilhamento com o mundo ao seu redor. Assim como Rapunzel usou suas tranças para estabelecer a aproximação de seu príncipe, eliminando a distância imposta pela torre, o líder precisará descobrir suas “tranças” para aproximar vários “príncipes” até então imperceptíveis em suas equipes, pares ou mesmo superiores, que o ajudarão a destruir as “pedras” com muito mais rapidez devido à força conjunta. As “tranças” do líder são formadas por abertura, solidariedade, segurança, sinceridade, presteza, humildade, colaboração, senso de julgamento, justiça, paciência, diplomacia, honestidade, perseverança, compartilhamento  de conhecimento e de sucesso, inspiração, compreensão, confiança e muitas outras que cada líder sabe que pode usar. Assim como a bruxa cortou as tranças de Rapunzel, causando a queda do seu príncipe, por vezes alguma das “tranças” do líder pode ser cortada pela reação do seu ego, o que exigirá sua atenção constante e substituição imediata por outra que possa dar continuidade ao processo de aproximação com o mundo ao seu redor.  Quanto maior e mais antiga for a “torre” mais energia será necessária para sua desconstrução, requerendo coragem, força e perseverança para destruir todas as pedras que a sustenta.


No conto, Rapunzel conseguiu encontrar seu príncipe por meio de sua canção e usar suas tranças para vencer, ultrapassar a grande torre que se interpunha a eles, permitindo sua aproximação e juntos conseguiram a força necessária para derrotar a bruxa e conquistar a felicidade plena. Na vida das empresas ou das instituições, o líder que estiver disposto a destruir suas “torres” e a encontrar os “príncipes” espalhados nas suas equipes, em seus pares ou seus superiores, poderá criar a força necessária para vencer qualquer obstáculo, por maior que seja, e alcançar grandes resultados e realizações em benefício  não só dele, mais de todos ao seu redor. Afinal, realizar em prol de todos é a grande missão do líder que o faz admirado, capaz de inspirar seguidores e criar um ambiente propício ao crescimento e a grandes conquistas.

Walter Palma

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