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Você presta atenção aos feedbacks que recebe?

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Wellington Moreira CONTEÚDO EM DESTAQUE

Nem sempre ele é expresso verbalmente, por isso, é importante saber “ler as entrelinhas” ou procurar o gestor imediato e conversar com ele sobre seu desempenho

“O gestor não me dá feedback”. Aí está uma frase que costumo ouvir de várias pessoas. Mas, será que não recebem mesmo? Nessas horas eu procuro perguntar de volta: “O que você entende ser feedback e o que gostaria que ele fizesse e não faz?” 

Feedback é uma palavra inglesa geralmente traduzida como “retorno”. Mais precisamente, diz respeito às informações que o emissor obtém da reação do receptor à sua mensagem, e que o ajuda a avaliar os resultados da transmissão. Trocando em miúdos, o tipo de retorno que ajuda você a saber como anda o seu desempenho. 

Todos nós recebemos feedback no trabalho. Uns mais, outros menos. Contudo, é importante ter ciência de que nem sempre ele é expresso verbalmente. Se você prestar atenção nas pessoas, verá que muitas delas sinalizam percepções de diferentes formas; inclusive, quando silenciam. Um gestor que conversava diariamente com você e agora mal o cumprimenta está “dizendo” que surgiu algum ruído nessa relação. 

Outra coisa importante é superar o mito de que só conta aquele tipo de feedback dado numa reunião formal. É claro que uma conversa privada para falar sobre o seu desempenho tem muito valor. Contudo, também é preciso ficar atento àquilo que seu líder diz informalmente numa viagem a trabalho, durante a conversa descompromissada que rola no refeitório da empresa ou então na hora do cafezinho. Muita coisa valiosa acaba sendo dita nesses momentos e sem filtros… 

É atribuída a Peter Drucker uma frase célebre: “O mais importante na comunicação é escutar o que não foi dito”. Dependendo do gestor que trabalha com você, reuniões formais de feedback serão raras e precisará “ler as entrelinhas”. E não é porque ele tem pouco a dizer, mas sim porque não se sente confortável em conversar diretamente sobre o seu desempenho. 

Percebo que alguns gestores evitam seguir as boas práticas de feedback por causa de experiências anteriores negativas. Na hora que apontaram algo que precisava ser melhorado os liderados resistiram àquilo que foi dito. Ou quando elogiaram o trabalho bem-feito, viram que a pessoa logo baixou a performance por se sentir o maioral ou, então, aproveitou para pedir um aumento de salário. Portanto, talvez hoje você receba menos feedback do que gostaria exatamente porque ontem não soube lidar bem ao recebê-lo. 

Também é preciso se acostumar com o fato de que quanto mais alguém ascende na estrutura hierárquica de uma empresa, menos feedback formal passa a receber. Diretores, por exemplo, não param para conversar tanto com gerentes quanto supervisores o fazem ao orientar estagiários. 

Mas é claro que nada substitui uma conversa franca. Já presenciei reuniões de 15 minutos “olho no olho” zerarem os problemas entre líder e liderado com a eficácia que nenhuma outra prática de gestão alcançaria. Por isso, se o superior não o procura de jeito nenhum, tome a iniciativa. O pior que pode acontecer será ouvir a famosa pérola: “Se eu não estou falando nada é porque tá bom”. 

Aliás, algumas pessoas evitam propor esse tipo de conversa justamente porque não têm a mínima ideia de como o seu desempenho está sendo percebido pelo chefe e temem escutar depois: “Já que você perguntou, então eu vou falar”. Resumindo: preferem não mexer no vespeiro… 

Se você não quer passar por algo parecido, tenho uma dica preciosa: sempre pactue as tarefas e as metas específicas que precisarão ser cumpridas com quem contrata o seu trabalho ou será responsável por avaliar o seu desempenho. Quando as coisas ficam claras para todos os envolvidos, os resultados são a melhor medida de feedback que alguém pode receber. 

Ao mesmo tempo, procure desenvolver a autopercepção. Quem está atento ao próprio desempenho, normalmente sabe se as coisas estão bem ou se é preciso mudar os rumos antes mesmo que outras pessoas “deem um toque”. A angústia de não receber feedback suficiente atinge muito mais aqueles que realizam seu trabalho sem saberem se o que fazem está de acordo com as expectativas ou não.

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