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Wellington Moreira

O Modelo de Gestão do Barcelona

O modelo de gestão vitorioso adotado pelo time espanhol Barcelona nos últimos anos.  



futebol clube Barcelona


Há alguns anos, a grande referência de futebol-arte é o clube espanhol Barcelona , que ainda consegue a façanha de ser um dos mais vencedores times do mundo nas últimas duas décadas. Mas qual é o segredo do seu sucesso? No tocante à gestão , uma clara estratégia e a capacidade de executá-la, mesmo quando derrotas ocasionais poderiam ter desfocado o olhar de seus dirigentes.  

Também não se pode negar o fato de que o Barcelona deixou de ser apenas um time de futebol ao estabelecer uma forte identificação com a comunidade catalã e os anseios políticos de quem apoia o movimento separatista. Como bem lembrou o tenor espanhol José Carreras na festa de cem anos do clube, comemorados em 1999: "Ser torcedor do Barça vai além do puramente esportivo. É o sentimento de raízes, de valores e de uma identidade de país: a Catalunha". 

Tive acesso ao mapa estratégico do clube quando o visitei em 2008 e naquela oportunidade pude compreender que as diretrizes advindas do staff realmente servem de fundamento para os êxitos dentro de campo. Uma delas afirma: “ Temos por objetivo posicionar o clube mundialmente como sinônimo de paixão ”. Por conseguinte, a filosofia do clube se baseia em contar com um time competitivo e que ainda encante a torcida. Não basta ganhar, é preciso dar espetáculo.

O resultado de tal orientação estratégica é provado pelos números. Hoje em dia é o clube com maior torcida no continente europeu (58 milhões de aficionados) e possui nada menos que 170 mil sócios pagantes q ue financiam sua escalada global, mesmo com a Espanha mergulhada numa crise econômica jamais imaginada. Isto sem falar na marca, que vale algo em torno de R$ 1,7 bi.

Outra declaração do mapa estratégico revela que o propósito é " formar um time competente e engajado com os nossos valores ". Cinco dos onze melhores jogadores do mundo hoje atuam no Barça e dificilmente você os vê causando escândalos ou dando entrevistas bombásticas. Daí fica a pergunta: será que eles realmente vão querer contratar o Neymar para enquadrá-lo? A resposta só virá com o tempo.

Para quem acompanha futebol , um fato que causa estranheza, mas está conectado à estratégia, é que o clube geralmente contrata jogadores espanhóis, brasileiros, argentinos e holandeses. Por quê? São escolas de futebol que se assemelham ao estilo de jogo técnico que a equipe catalã decidiu para si. É por isto que dificilmente veremos jogadores alemães, italianos ou ingleses defendendo as cores azul e grená.

O clube também foi um dos primeiros a se preocupar com a formação de talentos e seu desenvolvimento como atletas e pessoas . Quando Messi chegou ao clube com treze anos de idade media apenas 1,40m e precisava receber um caro tratamento hormonal para crescer logo e o clube não hesitou em investir naquele mirrado garoto, mesmo sem saber se ele se tornaria um jogador profissional no futuro.

Mas é claro que os resultados não vieram de uma hora para a outra e também não se pode negar a importância que o Real Madrid teve nesta ascensão do Barcelona e vice-versa. Sem um adversário capaz o time catalão possivelmente não teria chegado tão longe, afinal já está mais do que provado – pelo menos em termos desportivos – que um forte rival serve como referência daquilo que se pode fazer e a vontade de vencê-lo favorece melhorias de performance no curto prazo.

A gestão em curso no Barcelona nos mostra que os resultados excepcionais de qualquer empreendimento humano passam por quatro ações : precisamos ter um propósito audacioso e significativo, contar com pessoas competentes e que comunguem os valores, comunicarmos muito bem a estratégia a ser executada para que todos a compreendam e termos paciência para saborear os frutos, pois eles virão. 

Wellington Moreira
wellington@caputconsultoria.com.br

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Wellington Moreira
Wellington Moreira14 Seguidores 71 Publicações CEO
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Palestrante e consultor empresarial em Formação de Lideranças, Desenvolvimento Gerencial e G. Estratégica, professor de pós-graduação. Mestre em Adm. de Empresas, MBA em G. Estratégica de Pessoas, autor dos livros Líder tático e O gerente intermediário.

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