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Dados, Informação, Conhecimento e Valor

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Consultório Portal GSTI #19 – Dados, Informação, Conhecimento e Valor!


“Qual o pepel da inteligência competitiva e as redes de informação na Sociedade Global?"
Competitive Intelligence & Information Warfare Association (Lisboa)

Caros leitores,

Esta foi a questão que foi lançada esta semana pela “Competitive Intelligence & Information Warfare Association”[1] numa palestra organizada em Lisboa e que contou com a participação de uma das figuras mais proeminentes no domínio da Engenharia Informática em Portugal, o Professor José Tribolet.

Hoje não vou falar especificamente de “Inteligência Competitiva”, um tema que vindo a ganhar cada vez maior relevância no contexto da atual economia cada vez mais global, mas antes fazer uma reflexão sobre um dos aspetos mais abordados na palestra: a importância da Informação para a criação de valor por parte de indivíduos e organizações . Para que seja possível entender o valor que é possível criar com Informação é determinante que se entenda antes: o que é a Informação? .

Não quero com isto estar a lançar um debate filosófico, mas existem alguns aspetos que considero importantes ressalvar, pois a experiência tem-me permitido constatar que quanto mais conhecemos as palavras que utilizamos (sobretudo quando as utilizamos em vários contextos), menos refletimos no seu significado, levando muitas vezes a falácias lógicas que dificultam a comunicação entre profissionais e impedem que os tão desejados benefícios sejam alcançados. É o que se passa com a palavra Informação.
Cada vez mais ouvimos dizer que a “ Informação é o ativo mais importante do século XXI ”, que a “ Informação é um fator crítico de sucesso ”, que vivemos numa “ Sociedade da Informação ” ou que “ Informação é poder ”. Desde logo importa distinguir duas perspetivas em que a palavra Informação é utilizada e que é motivadora de uma das principais confusões:
  • Informação como Ativo – Quando a Informação é um bem transacionável, i.e. quando o poder de um indivíduo ou organização vem da retenção ou venda de uma determinada Informação; ou
  • Informação como Recurso – Quando a Informação é um Recurso crítico para a criação de valor, i.e. quando a Informação permite que um indivíduo ou organização tomem as decisões corretas para criarem valor.
Apesar da “Informação como Ativo” despertar em nós lembranças relacionadas com os filmes do James Bond, é a “Informação como Recurso” que está relacionada com o domínio das “Tecnologias de Informação” e, como tal, é neste contexto que se deve analisar a semântica da palavra.

Tal como no nosso dia-a-dia, uma boa comunicação não se faz apenas com o conhecimento das palavras (a sua sintaxe), mas sobretudo da partilha de regras que permitem “descodificar” essas palavras nos contextos onde são utilizadas, podendo essas regras derivar de uma língua oficial (como o Português), uma qualquer língua crioula, o calão, ou até a língua infantil dos “Ps”, etc. Como tal, a partilha de modelos semânticos que permitam uma comunicação mais efetiva entre profissionais e organizações é cada vez mais um fator crítico num mundo global .

Ao longo da minha carreira tenho vindo a valorizar cada vez mais a comunicação no contexto profissional e uma das principais ferramentas para conseguir isso são as boas práticas. O conhecimento, reconhecimento e adoção de boas práticas permite criar melhores canais de comunicação, permitindo que todos os intervenientes possam partilhar uma visão comum. A framework COBIT 5 , apesar de não ser uma framework diretamente relacionada com Informação, pode ser um recurso valioso para entender a Informação no contexto de um Sistema de Informação e para mapear mais facilmente outros guias mais específicos, como é o caso do “The DAMA Guide to the Data Management Body of Knowledge” (DMBOK) [2].

A framework COBIT 5 destaca a Informação como um dos sete principais facilitadores que devem ser considerados para que seja possível ter uma visão holística do Sistema de Informação (conjuntamente com Princípios, Políticas e Frameworks; Processos; Estruturas Organizacionais; Cultura, Ética e Comportamentos; Serviços, Infraestruturas e Aplicações; e Pessoas, aptidões e competências ). Uma das principais dimensões relacionada com o facilitador Informação é o “ciclo de vida da Informação”, sendo esta dimensão um recurso importante para clarificar a semântica de Informação como Recurso, bem como a sua relação com outros conceitos, nomeadamente: Dados; Conhecimento; e Valor:
  • Dados – Os Dados podem ser definidos como algo que é, ou representa, um facto. Os Dados podem ter vários formatos, por exemplo, texto, números, gráficos, som, vídeo;
  • Informação – Informação representa Dados num determinado contexto. O contexto é responsável por dar um significado aos Dados, determinar o formato em que os dados são apresentados e a relevância dos Dados num determinado contexto de uso;
  • Conhecimento – O “Process Reference Model COBIT 5” dedica um Processo específico para a “Gestão do Conhecimento” no domínio do Contruir, Adquirir e Implementar (BAI). Uma das práticas deste processo permite um correto entendimento da relação entre Informação e Conhecimento: “Organizar e contextualizar Informação em Conhecimento” (BAI08.03): “ Organizar as informações com base em critérios de classificação. Identificar e criar relações significativas entre elementos de informação e possibilitar o seu uso ”;
  • Valor – A criação de Valor é o principal objetivo de qualquer Organização e pode ser descrito como a satisfação das necessidades dos stakeholders , garantindo uma otimização do custo dos recursos relacionados e riscos relacionados.



Figura 1 - Fonte: COBIT 5 Framework - Figure 35—COBIT 5 Metadata—Information Cycle

Um correto entendimento do que é Informação e do seu “ciclo de vida” são fatores críticos para que se possa entender o contexto da “Inteligência Competitiva” ou, pelo menos, entender que:
  • Não é por uma Organização ter mais Dados que tem mais Informação;
  • De nada vale ter Informação se ela não representar Conhecimento (ou inteligência); e
  • (Talvez o mais importante!) O Conhecimento não é um fim em si mesmo porque a Organização terá de ter os mecanismos necessários para criar valor a partir desse Conhecimento.

Na próxima semana continuarei a abordar este tema da importância da semântica das palavras, nomeadamente os riscos de sem misturarem vários termos e de utilizá-los em contextos diferentes. Vamos analisar alguns dos "batismos" que usualmente são dados aos cargos relacionados com as Tecnologias de Informação nas Organizações para melhor compreendermos a distância que pode ir da sintaxe à semântica das palavras ou, tão simplesmente, a distância que pode existir entre a realidade do que é feito e o nome pomposo que se atribui ao cargo:
  • Diretor de Sistemas de Informação;
  • Diretor de Tecnologias de Informação;
  • Diretor de Tecnologias de Informação e Comunicações;
  • Diretor de Sistemas e Tecnologias de Informação;
  • Diretor de Sistemas Informáticos;
  • Diretor de Sistemas ;
  • Diretor de Tecnologias;
  • Diretor de Informática;
  • Diretor de Serviços Informáticos; ou
  • CIO.
Espero ter ajudado!

Bruno Horta Soares, CISA®, CGEIT®, CRISC , PMP®
"The more you know, the less you no!"

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[1] http://www.ciiwa.pt - Competitive Intelligence & Information Warfare Association
[2] Data Management Association International (DAMA), “The DAMA Guide to the Data Management Body of Knowledge” (DMBOK), USA, 2009

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