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Wellington Moreira

Nunca contrate quem você não pode demitir

Um preceito que vale a pena seguir na hora de escolher funcionários, fornecedores ou sócios.

por Wellington Moreira

Demissão
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É muito saudável trabalhar ao lado de pessoas que apreciamos e com as quais cultivamos uma relação fora do ambiente profissional, contudo nem sempre os líderes  percebem que na hora de contratar alguém para o seu time é preciso segurar a vontade de escolher aquele típico profissional que não poderá ser demitido mais adiante se preciso for.

Quem opta por trabalhar ao lado de familiares e amigos de longa data ou aceita contratar a filha do sobrinho do diretor só porque a indicação partiu dele, sabe como é difícil lidar com aquelas situações na quais é preciso dizer a essas pessoas que não conta mais com os serviços delas, já que a parceria não deu certo ou o objetivo que as trouxe ali foi alcançado. Isso quando consegue dizer.

Na hora de efetivar alguém próximo muita gente pensa: “Fulano é meu amigo, nunca brigamos e ainda por cima precisa de um trabalho melhor. Por que não contratá-lo?”. Só que mesmo convivendo com ele há algum tempo, pode ser que você ainda não tenha notado que o seu desempenho como trabalhador não é lá essas coisas e daí se veja diante do dilema: é melhor conservá-lo na equipe mesmo com desempenho medíocre para manter a amizade ou demitir o trabalhador e perder o amigo junto?

Sempre que o vínculo entre as pessoas fora do ambiente profissional for muito forte é quase certo que haverá grandes problemas dentro dela . É por isto que algumas companhias têm a política de não contratar parentes, como é o caso de todas aquelas tocadas pelo megaempresário Jorge Paulo Lemann. Segundo ele, nenhum familiar dos sócios trabalha como executivo nas empresas do grupo para que todo profissional talentoso tenha a certeza de que sendo competente de verdade ninguém o impedirá de chegar ao topo da organização. Nem mesmo o filho do dono.

Portanto, quando uma empresa decide implantar a meritocracia também decide não contratar indivíduos que fiquem acima do bem e do mal e aceita desagradar algumas pessoas (os seis filhos do Lemann, por exemplo, não concordam com a regra de ficar fora dos negócios do pai) para agradar muitas mais. Ela sabe que não pode deixar no ar a ideia de que aquele gerente acaba de ser promovido por ser primo do chefe, apesar da sua inquestionável competência.

Mas já que 99% das empresas brasileiras não optaram pela meritocracia, voltemos ao mundo real. Muitos gestores lamentam o fato de terem de liderar pessoas que foram contratadas antes da chegada deles e também não podem ser demitidas . Nesse caso, ficam duas lições: 1ª) Antes de aceitar o convite, negocie autonomia total para montar a própria equipe de trabalho ; e 2ª) Faça as mudanças que considerar necessárias durante os primeiros trinta dias ou então aceite o fato de que terá de administrar seu passivo sem reclamar .

Por outro lado, se você acaba de receber uma promoção interna , só mexa com os “intocáveis” se estiver convicto de que não há a menor chance de trabalhar com eles. Percebo que alguns gestores gastam tanta energia vital para se livrarem de quem não pode ser demitido de uma hora para a outra, que acabam se fragilizando desnecessariamente. Ou seja, pense bem antes de entrar numa briga dessas.

Também tenha em mente que você só conhece a sua verdadeira força na companhia quando precisa efetivar uma demissão complicada . Alguns anos atrás atendi uma empresa na qual os gerentes não tinham força para exonerar nem mesmo seus assistentes diretos e foi assim que eles descobriram que a autonomia que tinham em mãos era próxima a zero.

E outra coisa: ao desligar um “não-demissível”, certifique-se de que está substituindo essa pessoa por outra realmente capaz . Se você trocar seis por meia dúzia, é quase certo que passe a ser visto como um líder injusto ou incompetente e a sua própria cabeça fique a prêmio.

O mais interessante é que esses cuidados não se restringem à contratação de subordinados; eles também valem na hora de escolher seu sócio ou fornecedor de serviços . É comum vermos amizades de longa data desfeitas, graves desentendimentos familiares e sociedades fracassando porque relações maduras fora do trabalho se revelam totalmente imaturas na hora em que é preciso resolver os problemas da empresa.

Wellington Moreira

wellington@caputconsultoria.com.br

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Wellington Moreira
Wellington Moreira14 Seguidores 71 Publicações CEO
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Palestrante e consultor empresarial em Formação de Lideranças, Desenvolvimento Gerencial e G. Estratégica, professor de pós-graduação. Mestre em Adm. de Empresas, MBA em G. Estratégica de Pessoas, autor dos livros Líder tático e O gerente intermediário.

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