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Bruno Horta Soares

LAB GSTI 2.0: Quem ganharia o combate de Vale Tudo: COBIT 5 vs. ITIL v3 2011?


COBIT 5 vs. ITIL v3 2011

Quando diferentes artes marciais e técnicas de luta decidiram se defrontar, nasceu o Vale Tudo, também conhecido como MMA (Mix Martial Arts). No contexto da governança, gestão e operação de SI também é comum assistirmos a algumas “lutas” entre “lutadores” com diferentes cintos em busca do cinturão de campeão. Mas será que essas lutas fazem sentido? Será que esses combates contribuem de facto para um espectáculo maior? Ou é mesmo um “vale tudo” ou um “salve-se quem puder”?

Começo por declarar o meu total e profundo desconhecimento sobre qualquer tipo de forma de arte marcial para além de breves encontros durante actividades de zapping na TV. É precisamente por apenas ter contacto pela TV, que desde há algum tempo percebi a importância que a combinação de luta e entretenimento tem para a captação da atenção de milhões de fãs por todo o mundo. Um dos casos de maior sucesso é sem dúvida as lutas de Vale Tudo ou MMA, onde lutadores de diferentes origens se confrontam em busca do cinturão de campeão incontestável. Neste contexto, o que me parece evidente e de assinalar é o facto de qualquer campeão ter de dominar em absoluto a sua arte marcial de origem, conhecer a arte marcial do seu oponente e, sobretudo, ter a consciência do resultado do confronto entre as diferentes técnicas de cada arte marcial , pois é sobretudo aí que me parece residir o factor crítico de sucesso.

Ao longo dos últimos anos tenho trabalhado com organizações que vivem com o permanente desafio de ter de escolher entre utilizar COBIT e/ou ITIL para suporte aos seus SI . Ao contrário das lutas de Vale Tudo, em que o confronto entre diferentes artes marciais se justifica pela maximização do entretenimento e onde a escolha do campeão é o corolário desse espectáculo, a análise e selecção da melhor framework no contexto do SI tem pouco de luta, não se resolve por uma questão de força e definitivamente não pode resultar na atribuição do título de campeão .

Vejamos dois cenários típicos em que se verifica a necessidade de decisão entre a utilização do COBIT e/ou ITIL e que poderão ajudar no esclarecimento deste desafio.

Cenário bottom up – O “combate” é ganho na secretaria, não chegando a haver luta

De facto, o que importa na escolha da melhor framework são sem dúvida as necessidades específicas da organização . O COBIT e o ITIL nunca tiveram o propósito de satisfazer os mesmos objectivos de um SI, embora as suas evoluções dos últimos anos possam ter contribuído para alguma confusão no entendimento dos âmbitos de acção, nomeadamente ai nível da governança, gestão, operação, auditoria, controlo, etc.

Sendo assim, a decisão deve sempre em primeira instância ter em consideração o âmbito da necessidade , nomeadamente entender se se trata de uma necessidade específica (ex. melhorar a gestão de incidentes e problemas) ou de uma necessidade mais transformadora, em que uma visão do todo servirá para enquadrar melhor as necessidades gerais do SI (ex. melhoria do alinhamento SI com o negócio, melhoria da performance global do SI). Caso as necessidades estejam sobretudo relacionadas com necessidades de melhoria de actividades específicas, por exemplo no domínio da Entrega e Suporte de serviços, então, à partida, a escolha do ITIL será certamente a melhor opção, podendo mais tarde o COBIT ser utilizado para estabelecer pontes para outros domínios de SI (ex. Desenvolvimento e aquisição de sistemas, Segurança da Informação, Governança, Gestão de Risco, Gestão de projecto).

Cenário top down – Em vez de promover a luta, a organização decide-se pela dança

Existem desafios no SI que pelo seu carácter transversal obrigam a decisões estratégicas e operacionais em perfeita sintonia. Vejamos o caso em que o plano estratégico de SI define como objectivo alto nível a melhoria da Qualidade dos Serviços. Desde logo se entende que para satisfazer este objectivo é necessário que, para além da qualidade intrínseca de cada processo de SI, exista uma noção de qualidade global do SI, nomeadamente um alinhamento total entre as necessidades do negócio e a resposta do SI . Perante este desafio, o COBIT apresenta melhores recursos uma vez que assegurará em primeira instância a ligação entre os objectivos do negócio e os objectivos do SI, permitindo ainda a ponte entre as frameworks e standards de referência em cada domínio de SI, quer seja no Planeamento e Organização, Aquisição e Implementação, Entrega e Suporte e Monitorização e avaliação .

Neste cenário, o COBIT garantiria a definição de actividades gerais, objectivos, métricas, responsabilidades (RACI) e interfaces entre processos (i.e. inputs e outputs ), enquanto o ITIL seria utilizado na operacionalização das práticas específicas dos processos, como exemplo [1] :
  • [APO06] – Gestão de orçamento e custos : ITIL v3 2011, Service strategy, 4.3 Financial Management of IT Services;
  • [BAI09] – Gestão de recursos : ITIL v3 2011, Service transition, 4.3 Service Asset and Configuration Management; ou
  • [DSS01] – Gestão de Operações : ITIL v3 2011, Service Operation, 4.1 Event Management.
O principal desafio das organizações está relacionado com a forma como se combina o COBIT e o ITIL, potenciando os pontos fortes de cada framework e mitigando as suas limitações, sem que exista a necessidade de existir um vencedor. Os verdadeiros “campeões” serão os profissionais de SI que conseguirem resistir à “luta”, optando por conhecer e valorizar os diferentes modelos, frameworks e standards em benefício de um SI robusto e alinhado com as melhores práticas, quer seja ao nível da governança, gestão ou operação .

Cumprimentos desde Portugal, estamos juntos!

Bruno Horta Soares, CISA®, CGEIT®, CRISC™, PMP®


[1] No documento “COBIT 5 – Enabling Processes” para cada processo COBIT são identificadas as boas práticas externas que devem ser consideradas no suporte às actividades detalhadas. 

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